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Prólogo

 

 

 

Tudo o que eu tive até hoje foi um nome. E desde o inicio eu soube que não fora o suficiente...

  Há muito tempo atrás meu pai ajudou a derrotar o mais poderoso homem de toda Irígnia. Meu avô retirou do peito deste homem um demônio, a real fonte de seu poder.

  Então, aqueles que seriam minha família, conseguiram aprisiona-lo em um lugar cuja localização era secreta... para que ele jamais caminhasse novamente por Irígnea.

  Porém, tudo tem um preço... e meus pais não retornariam desta cruzada. E este é o preço que tenho pago desde então. Meu nome é Aledon Talguem. Filho de Alathor Vermangoes e Níneri Talguem. Sou fruto de uma aliança lendária que há milênios não ocorria. Sou um meio-humano.

  Eu cresci em meio aos elfos, que ora me tratavam com arrogância ora com cordialidade excessiva. E, certas vezes, faziam menções... Como se minha impaciência em relação às respostas fosse a chave de tudo. Quando me decidi partir de Èdrin, não manifestaram surpresa, muito menos pesar... Era como se, isso fosse esperado. Como se fosse meu destino.

  E quase que instantaneamente à minha decisão, senti um turbilhão de sons e imagens invadindo minha mente... revelando alguns nomes e lugares... E assim como minha progenitora, eu tinha visões sobre o futuro. Era um dom, que chamavam de oráculo. 

  Parti de Èdrin sem saber o que encontrar, e o preço que eu estava a pagar era caro demais, e no fundo eu sempre soube que lá não era o meu lugar... No fundo, bem lá no fundo.

  E sem sequer olhar uma vez para trás...

  Parti.

  Parti carregando uma habilidade divina. Via coisas que aconteceriam logo após, num futuro não tão distante. Eram iluminações que percorriam minha cabeça deixando, no seu rastro, o futuro. E lá havia um nome. Àtala. Vívido e intenso, como se tivesse sido produzido por um ferrete. Um nome marcado em minha mente. 

  Eu tinha de certa forma medo do mundo. Medo do que iria encontrar. Admito. Por isso parti com roupas que me escondessem a identidade. E percorrendo as densas florestas de Édrin, tentava imaginar o que me aguardava lá fora. Reinos humanos. Reinos visitados por meu pai Alathor, antes de partir para a grande batalha. E à medida que pensava nestes reinos humanos, mais e mais reconhecia a grandeza deste caminho. E a grandeza de meu pai.

  Era natural que o filho seguisse os passos do pai... E a cada novo passo dado, recordava-me das histórias que por anos me foram contadas.E por um instante, tive a sensação de que meu pai me esperava em algum lugar  E em meio à mata selvagem, eu sabia o que procurava. Jamais me esquecerei do preço da enorme batalha. 'Seus pais partiram'. Meus pais haviam me abandonado... eu fui esquecido. O motivo já não me importava. Queria encontrar nem que fosse a lápide do túmulo de meu pai.

  Só então teria a real certeza de que haviam me deixado... e que estaria, de forma definitiva, sozinho...

  Demorei dez dias inteiros de caminhada para sair destas densas florestas.

  Começava a minha história.

© Olhos Eternos por Daniel Liu. Todos os direitos reservados. 

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