
Parte 2-Vida não vivida.
Isso foi muito estranho. Não me lembro de ter cochilado. Eu só me lembro deles entrarem na arena e...
Em casa pareço distante de tudo, uma única palavra que se fixe em minha mente é muito. Penso em muitas coisas ao mesmo tempo, eu desligo as luzes porque ainda de alguma forma ferrem meus olhos... Até que um flash invade minha mente... E vejo um golpe elementar de machado... E em seguida imagino uma outra pessoa pular com sua espada... E repentinamente sinto uma terrível dor de cabeça...
Vou até o banheiro, e tomo um banho... Quando ponho meu pé direito para fora do Box... Eu só tenho ouvidos para os pingos de água que caem no chão, eu paraliso ali mesmo... é como se estivesse sozinho dentro de uma caverna escura e os pingos d’água caíssem de estalactites.
Eu ando devagar e me aproximo do espelho grande sobre a pia do banheiro e olho para ele... Fico observando meu reflexo com os braços apoiados. Vou aproximando meu rosto com meus olhos bem abertos. Um cansaço involuntário invade meu corpo, quase que fecho os olhos diante do espelho, meu corpo molha todo o banheiro, quando vejo outra pessoa atrás do espelho...
Com meu rosto próximo, eu vejo um reflexo de outra pessoa, no lugar de meu próprio reflexo, alguém tomado pelos seus próprios cabelos enormes e castanhos, os quais descem pelos seus ombros e chegam ate o peito, mas a imagem se vai da mesma maneira em que veio...
Fico assustado olho para baixo, porém minhas características continuam as mesmas... e quando volto meus olhos para o espelho e continuo a ver meu reflexo novamente, depois disso não sei como fui parar na cama.
Acordo lerdo, letárgico... Olho para a janela e ainda é noite, ou talvez já tenha se passado um dia, não sei. Estou morrendo de fome.
Não tenho cabeça para cumprimentar ninguém, ou prestar atenção em detalhes.
E vou até a lanchonete da esquina comer alguma coisa. Mas no caminho eu ouço pessoas conversando sobre a luta de hoje. Então lembro-me do que eu vi no espelho. E subitamente desvio meu caminho.
Parece que perdi o juízo mesmo. Repentinamente fico sério não dando a mínima para o lugar estreito, para a gritaria, muito menos se ainda estou com fome, preciso saber o que realmente aconteceu no estádio ontem... Perco o cansaço... Acho um ótimo lugar nas arquibancadas, e sem que eu perceba a luta começa.
-Do lado esquerdo... Higs.
Higs utiliza um bastão de madeira, tem os cabelos vermelhos penteados para cima, uma faixa preta na cabeça e um grande cinto de metal escuro.
-Do outro lado da arena, Araticus.
Araticus é negro, forte, alto e cheio de cicatrizes em seu corpo, e carrega uma pequena espada. Aparentemente possui uma grande habilidade, mas é meio inseguro em seus movimentos, grosseria e agilidade são dois lados de uma mesma moeda só os melhores podem equilibrá-los em um lado só.
Higs em posição de ataque lança um golpe de bastão, e olha bem fundo para Araticus, que desvia lhe investindo de volta com sua espada só que desta vez o bastão de Higs se quebra em duas partes. Higs pensa na situação e dá vários saltos para trás até se distanciar bastante, então corre em direção de seu oponente, pegando bastante velocidade, então dá um salto, e com seu pé acerta o nariz de Araticus.
Ele então atingido no rosto eleva uma de suas mãos até seu nariz e o empurra, a fim de estancar o sangue que escorre fluentemente pelo seu rosto, mais que instintivamente ele vira-se para Higs impune, que está já em posição de ataque o esperando, sem que haja tempo para Araticus reagir, Higs corre, e já próximo a seu adversário segura o seu punho e seu antebraço, e girando o arremessa no chão, fazendo-o cair de rosto. Araticus procura onde foi parar sua espada enquanto desce bastante sangue de eu nariz, ele observa tudo e lentamente, se levanta e grita com todas as suas forças na arena, misturando-se com o sangue do nariz desce um suor de raiva, ele respira bastante quase que ofegante.
E neste impulso ele corre como um touro até Higs, que em posição de ataque o espera, até que ele se aproxima, Higs se abaixa sutilmente e lhe desfere um soco na barriga fazendo o imenso touro esbugalhar os olhos e cuspir sangue, tonto, Araticus não consegue nem ficar em pé direito, e com a vista embaçada ele tenta ver seu adversário, o qual sem esforço põe sua mão na testa de Araticus a empurrando e fazendo-o cair no chão, sem reação ele abre a boca e os olhos e desmaia.
...Logo após a queda de Araticus meu corpo formiga como se houvesse algo por de baixo da pele... Estou anestesiado...As imagens do espelho invadem minha mente novamente e...----...Bem é a hora de encarar o destino...
As pessoas gritam o nome do rapaz por alguns minutos e quando ele está se dirigindo a porta de saída da arena, enquanto recolhem o corpo do Araticus... Levanto-me da minha cadeira e digo alto e em bom som:
- Aonde você pensa que vai Higs?
Nossa não me lembro de falar nesse tom antes, enquanto as pequenas câmeras localizadas em pontos distantes do estádio me procuram... Para mostrar meu rosto a todos. Não sei por que, estou fazendo isto... Ou como todos puderam ouvir minha pequena voz.
As pessoas que estavam se retirando me olham friamente, todos param a meu redor, o estádio inteiro parou... No telão somente meu rosto estava estampado, enquanto Higs se vira e diz:
-Faz tempo que uma voz não me dá calafrios...
As palavras dele são frias e duras. Me sinto outro, ando através das pessoas que só sabem me olhar estáticas, e chego à beirada da bancada das arquibancadas olho para baixo friamente:
-...
Pego fôlego para falar alguma coisa, mas não consigo, neste momento pulo a bancada, e caio na areia ao redor da área de combate. Ando bem calmo e com um olhar estranho subo na arena... Higs permanece parado e olhando para mim diz:
-O que você quer?
Eu não digo nada e entro em posição de combate com os punhos. Nas arquibancadas as pessoas sussurram comentando o fato... E Higs:
-Hey, isso não é brincadeira!Vá embora!
Ele diz irritado. Retruco olhando fundo em seus olhos:
- Medo? Ele arregala os olhos, acho que agora eu me ferrei mesmo. Mas que se dane. E ele diz:
-Ótimo... Não reclame quando estiver estirado na arena!
Higs corre em minha direção. O que eu faço!?Ele se aproxima com embalo e lança-me um soco. Eu simplesmente viro meu corpo totalmente para o lado, começando pelo pescoço, me esquivando.
As pessoas param e observam. Ele olha para mim e fica sem palavras:
-Mas?!Como você fez isso?
Eu olho para ele com cara de espanto também, mas não digo nem faço gesto algum, ele vem em minha direção e me desfere outros socos perfeitos. Mas é como se eu os visse em questão de segundos... Milésimos de segundos e soubessem como eles tentariam me atingir. Defendo todos do mesmo jeito, então eu começo a desviar segurando os punhos do meu adversário.:
Ele para e com os punhos ainda levantados enquanto nossas imagens permanecem nos telões, me pergunta:
-Quem é você?...
Estranho... Como isto foi acontecer?Acho que esqueci meu próprio nome... Seito... Seir... Seiro... Seiphir... Sero... Seiphir...
-Meu nome é Seiphir. ¬¬ - Digo isso bem frio olhando em seus olhos.
Ele paralisa, me observa com espanto, abaixa os braços e diz com seus olhos fechados, e sinto sua respiração aqui perto de mim:
-... Tudo bem...Seiphir, agora você está por conta própria...
Higs se vira e pula pra fora da arena... E me olhando uma ultima vez diz:
-Seifir... Sabia que viria só não sabia que... Dessa forma...
Sinto-me como se estivesse lendo um livro do meio em diante. Perdi um fato importante. Ou marcante. E agora ele me confunde com alguém que por sinal não faço idéia de quem seja. Ainda tem o jeito que eu me defendi...Como fiz aquilo?Agora me lembro do espelho lá em casa... E...
Muitas perguntas e poucas respostas.
Alias nenhuma resposta. Quem é “ele” que Higs se referiu?Alias, esqueci meu nome naquela hora. Mas por quê?Alias agora eu lembro... Sabe tenho vontade de xingar.
Vou correndo pelo mesmo caminho que Higs seguiu um imenso corredor luminoso, mas quando eu chego ao final, nada vejo a não ser uma sala com um sofá vermelho ao redor de uma mesinha de vidro, segue por uma porta na mesma sala, e encontro os corredores de fora do estádio.
A coloração serena na tonalidade azul se manifesta belamente à noite junto às luzes brancas do estádio, as pessoas começam a sair pelos corredores ao meu lado direito. E nada de Higs...
Meu estomago neste mesmo momento, começa a doer. Acho que é de fome, tem um tempo que eu não como nada. Sigo o caminho para fora do estádio junto com a multidão e vou para a lanchonete na esquina da minha casa.
É a Crystal que atende, ela tem os cabelos loiros compridos e nos falamos desde que estou aqui... Ela é muito bonita, tem o rosto bem branquinho, que se encaixa com as mechas loiras que descem pelo seu rosto. Ela me atende:
-Sero... Oi!
Eu olho para ela. E paraliso. Então este é meu nome mesmo, Sero... Ela continua:
-Vai querer alguma coisa?
Eu não tinha reparado como ela tem prazer em atender as pessoas, sorrindo deste jeito...:
-Me dê qualquer coisa pra comer... Digo sem ânimo algum, quase que deitando sob o balcão.
Ela olha pra mim, vira sua cabeça uma vez para trás e volta novamente. E diz:
-Tudo bem com você Sero?
-Eu só estou com fome...
Ela olha pra mim, e fica apreensiva. Eu fecho os olhos, e abaixo o rosto enquanto mais pessoas famintas aparecem no balcão. Então eu ouço bem no meu ouvido:
-Acorda Sero!!
Com o susto eu caio pra trás no chão. Viro os olhos para ela, que sorri pondo um pão com algum recheio e um suco de frutas sob o balcão...:
-Aqui está...
Nossa que mudança de atitude!Levanto-me, peço desculpas e começo a comer o que ela trouxe, e me indaga:
-Qual seu problema?
Não a respondo de boca cheia, tomo um gole do suco e digo:
-Você não entenderia...
Ela faz cara feia para mim de novo e diz:
-Qual é Sero, nos conhecemos há um tempão!
Termino de comer rapidamente, deixo o dinheiro sob o balcão dou as costas e digo:
-Não é da sua conta...
E vou andando para minha casa... ops...Esqueci que ela não gosta de ser ignorada, ela deve estar uma fera. Mas tenho outros problemas para pensar agora. E sozinho agora carrego todos os meus pensamentos e tento reorganiza-los, tarefa quase impossível sem entender exatamente o que havia acontecido.
(OBS: Letras escritas em formato não oficial da historia, tomam características de atuações místicas... como, por exemplo, o formato itálico, ou outro estilo fora das letras padrões).