
O inicio: Surgem os Olhos Eternos

" Me distrai com todas estas luzes. Não me preocupei em lembrar onde e quando fui o que estou sendo. Me perdi no eco do vazio estando cheio de muitos detalhes em poucas coisas. Pouco se tornou muito, areia tornou-se deserto. Excesso tornou-se labirinto. Então me esforcei para me esforçar. Este esforço me mostrou o que eu delicadamente não queria ver e ansiava em assistir. Um olho obtive para ser apto a assistir. Então eu assisti. Assisti muito... muito eu assisti. Por muito tempo eu vi e revi, assisti e acompanhei. E me perdi no eco do segundo. O tempo parou sobre a eternidade freando a linha fina de algo que ia até algum lugar chamado: passado do futuro. Então eu assisti mais. Viciei-me em assistir. Vi toda infinidade de coisas sobre o firmamento de matéria composta de átomos. Até que vi criaturas vivas, e vi criaturas pensantes, haviam homens entre eles. Eu os assisti. E vi. Vi nascerem e morrerem. Amarem e odiarem. Criarem e matarem. E eu me viciei em assisti-los. Homens não eram lineares com seus instintos, pelo contrário, homens eram inconstantes com o que faziam. De certo modo não fazia sentido. E durante um período chamado 'eras' pelos homens eu os assisti. Via tudo acontecer sobre eles e eu me esforcei um pouco. Comecei a acompanhar alguns preferidos, que me decepcionavam com o tempo que me dedicava a eles assistindo-os. Nestes breves períodos pude me ver. Já não sabia onde estava a tanto tempo que já não fazia diferença. Eternidade do infinito era sua qualidade e defeito no vazio. Passei muito tempo e pouco tempo os assistindo que acho que fiquei parecido com eles... amei. E senti ódio. Senti empatia por cuidá-los e também quis destruí-los. Me esforcei novamente... vi prediletos nascerem novamente... e o inesperado aconteceu. No quarto ano do infinito.
Meu olho caiu próximo ao meu predileto quando me esforcei demais em vê-lo, e infelizmente ele mal sabia o que era. A eternidade minha no mundo humano teve cor de prata e luz, e brilhava como diamante.
Meu olhar era estático e não podia ser observado por aqueles seres como realmente era. Um dia caiu e o diamante quebrou-se em pedaços. Isso o deixou poderoso com dinheiro. Triste fiquei. O primeiro elo que fiz quebrou-se. Esforcei-me novamente aleatoriamente mas sonhava em como meu olhar poderia chegar até aquele humano. E meu olhar caiu novamente no mundo humano. Espantei-me e amei novamente. A esfera que era meu olhar quando tocada pelo humano o fazia dormir em sono profundo onde nós podíamos conversar num lugar dentro de sua mente. Me tornei muitas formas. Me tornei muitos seres. Tive muitas vozes.
Sentimos todos os tipos de sentimentos. Até que ele morreu. Senti fúria e não pude me esforçar. Acalmei-me e me esforcei. E esforcei-me e esforcei-me. Estava eu coberto de olhos sobre o meu corpo. Não era mais esforço. Assisti novamente. Quis amá-los como amei os que haviam morrido. Quis que minha solidão fosse compreendida. Senti muito mais do que poderia sentir. Enlouqueci por algumas eras daquelas raças do mundo.
E decidi criar um olhar... que pra ele eram esferas de 'poder' que os permiti-se não morrer. Assim como o anterior. A esfera que era meu olhar quando tocada pelo humano o fazia dormir em sono profundo onde nós podíamos conversar num lugar dentro de sua mente. Me tornei muitas formas. Me tornei muitos seres. Tive muitas vozes. Sentimos todos os tipos de sentimentos.
Mas... com o tempo humano... foi passando... e fui tornando-me uma opção de amizade. O amor pela eternidade de carne e alma o mudou com o tempo. Até que o roubaram a esfera... e fiz outro amigo enquanto ele morria. Senti-me diferente. Aprendi coisas diferentes. Entendi o que aquele ser queria, desejava, almejava. Lhe conferi seus desejos. Dividi a esfera da eternidade em 3 partes distintas. Unidas juntos ao seu corpo lhe concediam a eternidade.
Mas cada uma lhe conferia um 'poder' diferente. Coisas das quais nunca significaram nada para mim. Uma delas era a esfera da vida, o que segurava a alma presa para sempre dentro da carne por mais que ela desaparecesse. A outra era a esfera do sopro de poder que existe na terra, jamais controlado, eles a tentavam entender a chamando de 'magia'. E a última era a esfera do tempo, que conferia controle do tempo naquele mundo. E foi poderoso. E já não mais conversávamos. Por muito tempo eu o assisti . Ele amou e matou. Escravizou mais que libertou. Destruiu mais que criou. Roubou mais que deu. Até que o roubaram. Separadas as esferas... cada uma possuía sua habilidade em estágios de 'poder' diferentes... nunca considerei isso poder. Então vi homens escravizarem, matarem, destruírem e roubarem mais que o oposto. E eu assisti. E já não falei mais com eles. Os amei. Os odiei. Já não mais pedi ou me esforcei. Até que um outro dormiu... e quis ter comigo em sonhos. E pediu mais poder.
Seu forte desejo me persuadiu. A esfera negra de poder surgiu conforme seu desejo. A cada alma que ela sugava para si, um soldado das trevas ela formava no ser escravizado pela esfera. Uma legião de 6.000 soldados negros surgiu. E ele governou sobre o reino dos homens e outras raças menores. Então eu assisti guerras. Combates e disputas ao longo do tempo, e eu aprendi suas estratégias. Aprendi o quanto se pode ser cruel ao clamar por poder. E notei que o poder ofuscava o que eles tinham de mais belo, o qual eu havia aprendido a assistir e a sentir. Perdi o gosto de me esforçar para ter contato com eles. Então percebi que o que eu tinha, eles consideravam 'poder' e que aqueles que tinham tido contato com meus olhos sofreram as consequências de terem almejado suas habilidades, ou sequer entrado no seu caminho. Vi novos homens diferentes. Vi que haviam atitudes e sentimentos que criavam mais do que destruíam. Me esforcei para tocar meus olhos que estavam presos no mundo humano, pois aprendi a amar estes humanos que me faziam admirá-los.
E os entreguei cada um, um dos meus olhos, inclusive o olho eterno negro. Para meu espanto... estes homens que não matavam, não roubavam, não destruíam e não odiavam no primeiro instante, negaram o meu poder e os atiraram fora.
Entreguei novamente a outros 'bons' homens, e alguns deles foram se entregando as habilidades destes meus olhos aos poucos até que iam se corrompendo por eles. Entendi que eu ao longo de muito tempo, acabei sendo a ruína de muitas existências e então conheci a plena, tristeza, solidão e saudade. Então eu continuei assistindo. Vi meus olhos serem perdidos com o tempo, entre o céu e o firmamento daquele mundo. Vi criaturas negras e criaturas de luz buscar estes itens. Nada mais fiz. Tive esperança de que pessoas justas as encontrassem e as destruíssem como destruíram o meu olhar negro que criara exércitos. A lenda dos três primeiros olhos foi descoberta. Uma nova busca pelos olhos eternos começou. Muitos almejavam a imortalidade. Chorei. Por aqueles que morreram, por aqueles que sofreram e por aqueles que encontrariam a ruína. Mas descobri que não conseguia me destruir no mundo destas criaturas.
Então eu assisti. Vi bravos guerreiros surgirem com diversos objetivos. Destruir os olhos eternos, ou obtê-los para fins nobres. Alegrei-me quando seus poderes corrigiram erros humanos. Até que um dia um ser rodeado de trevas me encontrou sonhando. E me persuadiu a me presentear as almas que a esfera negra destruia se eu pudesse cria-la novamente. Ele sonhou e desejou, e minha mente trafegou até seu desejo a criando novamente acidentalmente. Conheci muitos seres diferentes com suas almas, aprendi, conheci, somei sua sabedoria à minha. Então decidi criar um dispositivo para que alguém de forma simbólica representante de paz entre raças, como o filho da aliança entre povos pudesse achar os olhos eternos as fazendo indicar uma às outras para que ele as destruísse. Decidi abandonar minha solidão e abraçar e amar estes seres pelo que eles podiam fazer de bom e não de ruim. O hibrido sofreu. Eu assisti. E após inúmeras batalhas ele destruiu dois olhos etenos e a esfera negra. Uma permitiu que um bom príncipe humano continuasse a viver. E seu desejo e força de vontade fizeram o dispositivo dos olhos eternos o guiar até meus sonhos e não até os dele.
Temi perder meu elo com aquele mundo para sempre. E o persuadi pela primeira vez a criar mais um olho eterno conforme sua força de vontade. E ele determinado a extinguir este legado de destruição... criou o olho eterno da purificação. Eu assisti ele retornar. E tentar purificar o mal que coisas de outro tempo, espaço e poder fizeram. Me alegrei. Eu temi. Eu amei. E continuei assistindo. E nada mais fiz pois finalmente havia reparado o que os tinha feito. Essa pequena eternidade cansou meus ânimos pela primeira vez. Decidi adormecer e desta vez parar de ver o sonho dos outros para poder encontrá-los. Sonhei. E desejei ser um simples... homem. Esperei."


