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Grieffstrike

02- Encontro Casual

Kai caminhou grande parte da noite até se refugiar em uma velha cabana abandonada ao longo da costa. Deitou-se sobre o assoalho, rasgou a ponta da velha longa capa negra e estancou seus ferimentos . Ainda com ela se cobriu e se protegeu do frio da noite. Lobo lambeu seus ferimentos parte da noite, e dormiu ao lado de seu dono. Sempre alerta, por mais que fechasse seus olhos, os sentidos aguçados de audição e faro mantinham uma certa segurança a Kai.

  Kai acariciou sua cabeça algumas vezes durante a noite, a capa era forte e espessa e isso o protegeu do sereno da noite. Ao raiar do dia Lobo já não estava a seu lado. Levantou-se Kai, e sonolento foi até a porta. Já era claro, e podia ouvir as ondas batendo não tão distante dali. Viu o verde da mata ao seu redor, e um barulho fino de metal batendo. Deu algumas voltas para encontrar a fonte deste barulho, até que viu um curto senhor de longos cabelos e barba brancas. Lobo estava sentado a seu lado o que o tranquilizou. E o mesmo parecia bater um pequeno martelo sobre uma bigorna bem velha sobre algo metálico.
  Kai estava relaxado. -Que bom que acordou jovem.- disse o velho homem. -Por acaso checou o outro lado da casa? - Kai fez uma cara de vergonha. -Eu moro do outro lado.

  Ele batia no metal repetidamente. Lobo veio recepcionar seu dono que o acariciou. -Deixe aí sua perneira de metal, e as outras armaduras. E vá até a  cabana encontrará o que comer. Kai surpreso, lhe perguntou: - Mas... quem é o senhor?
 -O acaso e o destino são a mesma coisa.- Parou de bater no metal.- Você só precisa lê-lo. Estive aqui esperando você Kai. Há 20 anos eu já sabia que viria.
-Mas você não entenderia agora. Vá comer.- Kai estava assustado. Seria aquilo algum tipo de magia como diziam? Ou ... só sabia que sentia paz perto dele. Foi com Lobo até a cabana.
-Havia uma pequena menina na cabana perto do fogo. Serviu sobre a mesa um tipo de leite aquecido, ovos de galinha e carne de lebre. Kai estava faminto deu pedaços da carne para Lobo, e começou a comer. Quando havia terminado tinha um antigo costume de tocar seu pingente pessoal, com o fragmento da espada de seu pai... mas não o encontrou em seu peito. Levantou-se da cadeira mas foi parado pelo velho que adentrava na cabana.
Antes que pudesse abrir a boca a Kai ele disse: - Não vi motivos pertinentes para não lhe contar o que sei. Provavelmente esta será a primeira e ultima vez que me verá em toda a sua vida. Sente-se.
 Sentou-se Kai mudo. O velho pôs ao lado da porta sua marreta. E ficou de pé para manter-se na mesma altura de Kai.
-Meu nome é Ferreiro do Tempo. Eu fiz a Yllnir. Ela é um pouco sentimental sabe... Ela escolhe seu portador por coisas em seus corações que não favorecem muito seu estilo de combate. Não é discriminatória. Ela destruiu-se no fogo em lamento a seu antigo portador. Mas devotou-se em parceria com você. Pela sua bravura e inocência. Ela é uma espada feita para um inexperiente. Diferente das outras espadas que escolhem atributos específicos. Esta espada... é sentimental.
-Mas ela apesar de ser só um fragmento ela se transformou em lâmina.
- Yllnir tem uma forma primária de energia física, você precisa supri-la para que ela se mantenha. Conforme você for adquirindo vínculo e crescendo, Yllnir vai se desenvolvendo novamente e seus cristais irão crescendo conforme as necessidades de seu mestre. Ela se molda a você, mas você precisa entender suas limitações.
-Tome.- Deu a Kai seu pingente com o metal platinado da espada de seu pai envolto no fragmento mágico da Yllnir.- Fiz de uma forma que a segure firme. Mas que você possa forçar e retirá-la facilmente do jeito certo. Já que ela não possui ainda necessidade para uma bainha. Hahaha
Ficava exposta no meio e nas suas duas extremidades metálicas. Brilhante. Era como se falasse. Kai meio que se emocionou ao rever ambos juntos. Aquele brilho falava com Kai de uma forma que tocava fundo sua alma. Pôs de volta em seu pescoço.
  O Ferreiro do Tempo se levantou, serviu mais de um líquido preto em seu copo e serviu Kai. -Beba isso-. Amargo... Kai imaginou e fez uma péssima feição. Esse líquido acorda você mais rápido pela manhã. Vou te deixar um saco. Ser preguiçoso é uma péssima característica para um guerreiro. Eu crio coisas Kai. Coisas das quais você nem imaginaria. Yllnir é uma filha mimada. Que não quer fazer o que o pai sugeriu. Preciso que você leve as habilidades dela até seu limite. Depois eu virei buscá-la. Até lá faremos um pacto. Vou remodelar sua armaduras para seu tamanho. E ... como seu cachorro foi bonzinho comigo. Vou presenteá-lo com algo especial. O que me diz?
 Kai então de falador ficou pensativo... -Minha missão é entregar essa espada no reino de meu pai... Não posso aceitar .... preciso seguir minha missão senhor Ferreiro.
 O ferreiro fez uma cara de bravo... mas logo sentou-se sobre a mesa e disse.- Então me deixe te contar uma história... jovem Grieffstrike. E você me dirá sua decisão.
 “Certa vez um grupamento de soldados Speariron vieram para esta parte isolada de terra próxima a chamada Cauda de Baleia. Antes mesmo de começarem a missão. Os guerreiros de armaduras negras foram pegos desprevenidos ... por tropas de seu próprio país. Os guerreiros de elite de Vorticella trabalham diretamente sobre ordem do rei. Existem uns que o defendem. E outros que fazem Missões impossíveis. Mas havia algo de errado Kai. O ataque coordenado desestabilizou cada uma das habilidades dos soldados. Eles haviam estudado os soldados de elite. E sabiam como detê-los. Seu pai tinha uma habilidade inata. Ele pressentia a concentração de poder e se antevia contra ataques mágicos e poderosos. Os outros possuíam relíquias que lhes conferia poder, ou habilidades combinadas a outros poderes. A habilidade de seu pai salvou a vida de 3 deles.
 Havia entre eles um soldado que portava também uma espada elemental. E esse era o objetivo deles.
 A guerra chegou a Cauda de Baleia. Eles fugiram para a cidade, e a guerra e lei marcial durou quase 1 mês de buscas na cidade. Quando foram embora... deixaram uns soldados infiltrados na cidade para fazerem a captura. Mas eles não esperavam que fossem se integrar tão bem a esta cidade. Isolados de tudo eles esconderam suas armaduras e armas. Seu pai e outro deles se casaram aqui. Até que os homens descobriram sua identidade após 2 anos. E os mataram. Entretanto o próprio algoz do seu pai Ethel... Impactado por ter matado um compatriota no colo de sua esposa. Desertou e se isolou no farol coberto de remorso. A espada Elemental foi levada a seu captor em Vorticella, que mais tarde foi descoberto pelo feito e cassado, mas conseguiu fugir. E hoje ele caça as minhas espadas para formar um exército. Mas a melhor forma de manter essa espada segura é desenvolver ela. Existem meios de rastreá-las, por isso não deve ficar comigo agora. E uma espada deve ficar fora da bainha de tempo em tempo para que sua alma não morra”.
  Kai se levantou tenso pela descoberta. - Você quer dizer que Ethel matou o meu pai!! Preciso voltar lá!!!!
-Não! Espere Jovem Kai. - Segurou em seu ombro. - Houve outros em missão, e vinham em Cauda de Baleia. Mas foram mortos antes de chegarem. Yllnir é uma das mais indefesas com seus primeiros combates. Coincidentemente ela parou em suas mãos. Significa que quem quer que esteja lá caçando vocês, ele deve ter os confundido com os soldados de Vorticella. Retorne ao reino e proclame como novo portador da Yllnir. Você precisa descobrir qual era a missão. Use o nome *Grieffstrike*. E descobrirá tudo que precisa.
- Como sabes tantas coisas assim velho?!- Gritou Kai. Ele apenas apertou os olhos e disse:

- Só estou aqui por muito tempo... e escolhi viver minha vida fazendo coisas extraordinárias. Armas que sempre sonhei em fazer sendo Ferreiro.
Sorriu para Kai que não entendeu muito. -Você é um mago?- Inquieto Kai voltou-se para ele.
-Não. Mas descobri. Que mais é menos nesse mundo e que nada faz sentido.
-Você não estava nos meus cálculos. Você é uma variável incrivelmente diferente. Yllnir não consegue seguir parâmetros escolhi observá-lo e ajudar. Mesmo assim não faz sentido? Só quero dizer que sua história me intriga. Porque não há previsibilidade. Não consigo prevê-la Kai, e não gostaria que morresse. Eu consigo ver o que muitos não. E ajudo àqueles a encontrar seu caminho com um pequeno empurrãozinho, ou àqueles que esbarram em mim em seu caminho. Jamais nos veremos novamente Kai. Mas eu verei você.
Kai põe as mãos na sua cabeça.... -Cala a boca! Você acha que eu sou o que? Uma ferramenta? Uma coisa? Não! Não serei usado por você! E nem por ninguém! - Pegou Yllnir e a colocou sobre seu pescoço novamente.- Se tudo que me disse é verdade... eu não posso aceitar... Não posso aceitar... Não posso aceitar... saberei da boca dele. Por que nunca me contou a verdade! Voltarei e falarei com minha mãe e o confrontei!
-Não Kai! Você não pode voltar! Você deve seguir!
- Velho! O que lhe dá o direito de tentar controlar a vida das pessoas ou assistir tudo como se fosse melhor?Se suas espadas tem vontades já experimentou perguntar a elas o que elas gostariam para seu destino?
 Kai prendeu seus braceletes e sua capa. E antes de sair... disse: -De que adiantaria viver muitos anos de vida, se não for para viver a sua própria vida mas ficar vivendo as vidas dos outros. Você está errado Ferreiro. Você está errado.
 Kai saiu pela porta acompanhado se Lobo. O Ferreiro do Tempo inerte, recolheu as armaduras. E pela primeira vez em séculos havia escutado algo que de alguma forma ficou remoendo dentro dele."Cuidar de sua vida..."
 Kai olhou o cristal e o viu mudar de cor de azul para verde claro. Aquilo devia significar alguma coisa pensou. Se a espada escolhe, deve ser porque tem vida. Pensou se não seria má idéia conversar com ela. Só pensou. Seguiu. De volta a Cauda de Baleia com um pensamento. “Ninguém jamais irá me controlar”.

© Olhos Eternos por Daniel Liu. Todos os direitos reservados. 

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